22 setembro 2012

Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pelo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado de tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe.


Pablo Neruda

Um comentário:

  1. Olá,

    Depois de quase duas semanas sumida estou de volta visitando o seu blog, vendo e lendo as novidades que postou. Filha andou doente e hospitalizada e por isso, não tive tempo de deixar o meu recadinho.

    Minha dica de hoje pra vc é o seguinte:
    Melhor lágrima caindo por ouvir verdade, do que um sorriso iludido por ouvir mentiras.

    Abraços,
    Toninha

    Twitter: @toninhavr
    http://cantinhodatoninha.blogspot.com.br/
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